segunda-feira, 9 de julho de 2012

Gestão da cadeia de abastecimento

   Muitas empresas em muitos momentos usam o preço baixo como um atributo fundamental da sua estratégia ou como um instrumento do seu arsenal de combate tático. No entanto poucas, levam o preço baixo ao estatuto mais elevado de missão. Conseguir vender por menos pressupõem duas coisas: custos mais baixos e margens menores. Não podemos fugir desta combinação. Obviamente que num cenário destes o volume, o crescimento ou se preferirmos o tamanho, pode ser muito importante. Mas não acredito que seja a solução. Ele não vai resolver tudo. Também não é a habilidade na negociação que vai trazer uma vantagem competitiva eterna. Custos menores conseguem-se de forma sustentável com produtividade, processos eficientes e excelência na gestão da cadeia de abastecimento. A gestão da cadeia de abastecimento afeta diretamente todas as componentes da formação de lucro económico de uma organização e se tratando de uma empresa de varejo isso é tão ou mais relevante ainda. Vejamos:

1.Receita - de que adianta conseguir atrair o cliente com preços e grandes campanhas se o produto desejado não está na gôndola no momento e quantidade certa?
2.Custo - o custo de produzir um produto é composto por várias partes, entregar de forma rápida, eficiente e no momento certo é uma dessas componentes e pode fazer toda a diferença (eventualmente mais até que o volume).
3.Despesas - operar uma loja com inventário acima do necessário vai automaticamente gerar mais despesas: mais pessoas para manusear os produtos, margens menores para poder realizar liquidações para escoar produtos em excesso, maiores quebras... Bem, a lista não tem fim.
4.Capital - gerir o seu estoque de forma eficiente tem impactos enormes no capital necessário para manter o negócio. Além do custo financeiro do dinheiro investido no seu estoque (menos capital circulante), cadeias de abastecimento eficientes têm como resultado lojas menores e centros de distribuição menores, ou seja, menos ativo fixo.

   A construção de uma cadeia de abastecimento eficiente é um processo demorado, contínuo e desafiador que jamais terá resultados transformadores se não for possível estabelecer em todas as estruturas da organização uma forte cultura de gestão de inventário. Com base na experiência pessoal da nossa equipe, no contato com outras organizações, profissionais e literatura diversa montamos uma estratégia para a criação de uma cadeia de abastecimento eficiente apoiada em 4 pilares:

1.Pessoas e talento - precisamos mudar o nível qualitativo de forma dramática e isso só é possível através de uma conjugação de planos com o mesmo objetivo. Criar um plano de treinamento e desenvolvimento dos associados da equipe, bem como todos os novos que chegam. Criar um plano de retenção e identificação dos maiores talentos. E por último, mas não menos importante, identificar o perfil e competências que precisamos para orientar nas contratações futuras e ter a coragem e a assertividade de recolocar as pessoas que não se ajustam ao que vamos precisar no futuro.
2.Sistemas e processos - temos uma dinâmica no varejo muito grande e a rotina diária toma muito tempo aos nossos profissionais. Para manter o foco intenso na operação e em simultâneo criarmos condições para o desenvolvimento de processos, tecnologia e conhecimento é necessário reestruturar a equipe. Um grupo de associados com elevado potencial, conhecimento e experiência formou uma equipe de desenvolvimento. Esta equipe, junto com a liderança deve realizar um profundo diagnóstico e, baseado neste, construir todo o plano estratégico para a área. Alguns pontos são fundamentais: visão de longo prazo, sustentabilidade das soluções, visão global, plano de gestão de mudanças, metodologia de gestão de projetos e elaboração de claras expectativas e métricas. Processos sustentáveis e eficientes devem ser suportados por sistemas produtivos e tecnologia de ponta.
3.Integração - uma boa parte das dificuldades que encontramos são causadas por problemas de integração de processos e objetivos entre as diversas áreas da empresa. Bom exemplo é a desconexão entre orçamentos comerciais, orçamentos de estoques e orçamentos logísticos, mesmo sabendo que todos eles têm a mesma base: Vendas. Além disso, criar e estabelecer uma cultura de gestão de inventário é um desafio complexo e demorado pois implica um esforço adicional da principal liderança e um discurso que precisa estar muito alinhado com a prática. É necessário muita coragem e discernimento para tomar as decisões corretas.
4.Colaboração - uma parte indispensável para atingir os níveis de eficiência elevados que buscamos é, sem dúvida, o fornecedor. Eliminar as distorções e as perdas na cadeia causadas pela comunicação e processos desconexos só é possível se embarcarmos com os nossos fornecedores numa jornada colaborativa de planejamento e execução. Para isso começamos com os melhores e mais preparados e formalizamos projetos de total e absoluta cooperação.

   Todos os planos, ações e intenções não irão surtir nenhum efeito se não tivermos dois elementos fundamentais que são o suporte da alta liderança e a continuidade. A criação de uma cadeia de abastecimento eficiente é, como foi afirmado antes, um processo contínuo e se bem que correções e ajustes sempre precisam acontecer, não podemos mudar a direção do nosso percurso de forma constante sob pena de perdermos o rumo. É uma longa e árdua caminhada, mas as descobertas e conquistas que vamos fazendo valem cada investimento.

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